Saturday, March 28, 2026

Garbha Upanishad - português

 

“Embrião cósmico” registrado pelo telescópio espacial James Webb em 2025


Garbha, ou ventre, é o objeto deste Upanishad, que muito antes da ciência moderna, instruiu sobre a concepção do embrião e a formação do corpo humano em fase uterina. A morfologia humana é descrita com minúcias, e também o adquirir da consciência espiritual sobre Brahman e o esquecimento que segue o nascimento, o véu de Maya, que recai sobre a jiva assim que ela recebe o sopro vital.  

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Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!

O corpo é quíntuplo por natureza (os cinco elementos). Ele existe nestes cinco e depende do sexto (sabores da comida), conectado às seis qualidades (karma, etc.), aos sete dhatus [os tecidos do corpo humano: plasma e linfa, músculo, sangue, gordura, ossos, medula óssea e nervos, tecidos reprodutivos], as três impurezas, três yonis (de excreção) e quatro tipos de alimento. Por que dizer “quíntuplo por natureza”? Refere-se aos cinco elementos, terra, água, fogo, vento e éter. Neste corpo, tudo aquilo que é duro é de terra, o que é líquido é água, o que é quente é fogo, tudo que se move é ar e o espaço contido é o éter. A função da terra é manter, da água é consolidar (a digestão, etc), do fogo é ver, do vento é mover-se e do éter é dar espaço (para as funções vitais).

Os olhos são usados para ver as formas, os ouvidos para o som, a língua para saborear, a pele e o nariz para tocar e cheirar, respectivamente, as genitais para o prazer, apana [um dos três ares vitais] é para a evacuação (do intestino). O sujeito aprende através do intelecto, deseja através da mente e fala através da língua. O suporte sêxtuplo são os seis sabores (dos alimentos): doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente.

Sadja, Risabha, Gandhara, Panchama, Madhyama, Dhaivata, Nisadha - estes são os seis sons agradáveis e desagradáveis. Branco, vermelho, preto esfumado, amarelo, marrom e branco pálido - estas são as cores dos sete dhatus. Por que? Para Devadatta (qualquer pessoa), surge em sua mente a vontade de desfrutar dos objetos. Do prazer da comida nasce o sangue, a partir do sangue nasce a carne, depois a gordura, os ossos, o tutano e o sêmen. Pela combinação de sêmen com sangue, o feto nasce. Um calor vital surge no útero e no abdômen. Na sede do ardor da bile, o prana flui – no momento adequado determinado pelo criador.

O embrião que permanece no ventre por um dia e uma noite é uma massa confusa; após sete dias, ele se torna uma bolha; após uma quinzena, uma massa; e em um mês, enrijece. Em dois meses desenvolve-se a região da cabeça; em três meses, os pés; no quarto mês, abdômen e quadris; no quinto, a espinha dorsal; no sexto, o nariz, os olhos e os ouvidos; no sétimo, o embrião começa a ganhar vida e no oitavo mês, ele fica completo. 

Com a predominância do sêmen do pai, o embrião se torna masculino; se com predominância do óvulo da mãe, torna-se feminino. Quando ambos são iguais, um eunuco. Se, no momento da concepção, os pais estão agitados, a criança será cega, aleijada, corcunda ou terá o crescimento retardado. Se o casal tiver problemas com os ares vitais, o sêmen entra em duas partes, resultando em gêmeos. 

No oitavo mês, em conjunto com os cinco ares vitais, a jiva adquire a capacidade de saber de seus nascimentos passados, concebe o Atma imperecível, conhecido como Om, através do conhecimento perfeito e da meditação. Ao conhecer o Om, ele enxerga no corpo as oito prakritis [aspectos da natureza material]; de onde surgem os elementos mente, intelecto e ego [junto à terra, fogo, água, ar e éter], e as dezesseis mudanças (veja o Prasna Upanishad).

O corpo se completa no nono mês e relembra o nascimento passado. Ações feitas e não feitas passam diante dele e ele reconhece a natureza boa e ruim do karma.

“Eu já vi milhares de ventres, comi diversos alimentos e me amamentei em muitos seios; constante nascimento e morte, estou imerso em tristeza mas não há remédio. Se conseguir me livrar disso, recorrerei ao Sankhya Yoga, que destrói a miséria e proporciona a liberação; ou recorrerei a Maheshvara, aquele que destrói a miséria. Ou recorrerei a Narayana, que destrói a miséria. Se cometi atos bons e ruins pelo bem de meus dependentes, eu devo ser queimado devido a tais atos - os outros que desfrutaram dos resultados saem inafetados.” 

O indivíduo, que está, por assim dizer, sendo comprimido [durante o parto], por uma máquina, é tocado pelo ar onipresente [o sopro vital soprado para dentro das narinas ao sair do ventre] e esquece vidas e feitos anteriores.

O corpo é composto por três fogos: o Kosthagni, que amadurece tudo o que é comido; o Darsanagni, que auxilia a ver as cores, etc.; e o Jnanagni, a mente que permite executar atos bons e ruins. 

O Daksinagni está no coração; Garhapatya no abdômen e Ahavaniya na boca. O intelecto é consorte do executor [dos atos], o contentamento é Diksha, os órgãos dos sentidos são utensílios, a cabeça é o jarro, o cabelo o cálice sagrado, a boca o interior do altar, etc. 

O coração mede oito palas [medida usada na ayurveda que equivale a cerca de 48g]; a língua 12 palas; a bile é um prastha [640g], a fleuma um adhaka [3kg]. Sukla [sêmen] tem um kudupa [200-250ml], a gordura dois prasthas, a urina e o mala dois prasthas cada, dependendo do que é ingerido diariamente.

A escritura da liberação exposta pelo sábio Paippalada se encerra.

Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!

Aqui termina o Garbha Upanishad, como contido no Krishna Yajur Veda

º º º

Traduzido para o inglês por Dr. A. G. Krishna Warrier

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

Publicado por The Theosophical Publishing House, Chennai

[N. do T.: as informações em colchetes são adendos do tradutor.]

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