Monday, July 27, 2026

Os Últimos Dias de Radhu

Cena que retrata o momento em que Sri Sarada Devi tem uma visão de 

Sri Ramakrishna sobre a sobrinha Radhu



Este texto curto é um post feito por Swami Sampurnanada, monge da Ordem Ramakrishna, e publicado em seu blog, Little Little Stories, sobre como Radhu, sobrinha da Santa Mãe Sarada Devi, passou os dias finais de sua conturbada vida. A segunda parte é um comentário feito na postagem, em que um devoto dá mais detalhes.


Conhecida na história da Santa Mãe como sua Yogamaya, a menina Radhu era figura central dos dias que Sri Sarada Devi passou na Terra. O termo Yogamaya, ou aquilo que mais nos prende ao mundo, foi dado à menina por Sri Ramakrishna numa visão que a Santa Mãe teve pouco após o nascimento dela, e queria dizer que a criança teria um papel fundamental para que Sri Sarada Devi demonstrasse sua divindade através de ações do dia a dia, de dona de casa, de mãe. 


A menina foi o que manteve Sri Sarada Devi executando ações tão seculares e comuns, uma vez que, não fosse por precisar cuidar de Radhu, a Santa Mãe provavelmente viveria em permanente estado de êxtase divino. Radhu mantinha a mente da Mãe no plano terreno e foi por quem a Mãe mais se dedicou em vida.


Santa Mãe e Radhu em foto de 1918 por Brahmachari Ganendranath, em Jayrambati



Por Swami Sampurnananda 


Radhu admirava a tia em qualquer assunto de sua vida. Ela havia perdido o pai quando ainda estava no ventre da mãe e perdeu a mãe para a insanidade pouco após seu nascimento. Quando criança, ela chorava, engatinhando desesperadamente para alcançar a mãe que era, ela mesma, mentalmente uma criança ainda, brincando de arrastar panos coloridos enquanto a tia corria para pegá-la. 


Ela cresceu no colo da tia. Sua tia também sofria pela perda do tio e Radhu era seu consolo enviado por Deus. Porém, sua tia estava a ponto de se tornar a Mãe Divina para cada e todas as crianças e adultos de perto e de longe, fazendo um tremendo trabalho de aconselhamento para tantos e guiando o destino de inúmeras pessoas que iam a ela. 


Certamente Radhu sentia ciúmes daquilo tudo. Qual criança iria gostar de centenas de irmãos e irmãs competindo? Ela cresceu sendo uma boa menina. Sua tia fez tudo que podia para educá-la, embora os outros parentes, acompanhando os costumes da época, tentavam impedir a menina de se desenvolver. Seu casamento, feito com uma cerimônia deslumbrante, não foi um grande sucesso. Ela retornou para a tia mais uma vez. No entanto, ela teve um grande choque quando a tia, em seus últimos dias, a recusou. Isso feriu seu amor? Mais tarde, quando o fim de Radhu surgiu, ela corajosamente preferiu morrer de tuberculose na casa onde havia vivido com sua tia, com suas lembranças sagradas, a viver em um hospital moderno em Varanasi. Ela e a tia eram ambas seres de luz, cada uma agindo de acordo com seu roteiro. 


Quando Swami Ishanananda (Varada Maharaj) - a quem Radhu e muitos outros da família da Mãe costumavam chamar de Gopal Da, já que Varada também era o nome de um dos irmãos da Mãe -, e outros tentaram convencer Radhu a ficar em Varanasi, o sentimento predominante que tinham era de que ela deveria morrer lá, e eles  tentavam esconder o fato de que ela estava com tuberculose em estado terminal. Porém, Radhu já tinha ouvido sobre sua saúde e disse: “Gopal Da, eu sei qual é a doença que tenho. Você quer que eu morra em Kashi para que eu obtenha Mukti. Vocês acham que aquela que me trouxe aqui, que cuidou tanto de mim, vocês acham que ela (a Santa Mãe) não virá a mim agora? Ainda que meu corpo seja jogado na sarjeta, ela (a Mãe) virá e me levará para a morada dela segurando minhas mãos. Eu quero viver na mesma casa onde vivi com ela e quero morrer lá”. Assim aconteceu. Ela morreu na mesma casa em Jayrambati onde costumava viver com a Mãe. 



Por Satwik Joglekar  


Eu também me perguntava sobre a outra parte da vida de Radhu e pude saber mais sobre a maravilhosa transformação de sua vida quando li A Blessed Life - Biografia de Pravrajika Bharatiprana, escrita por Pravrajika Jnanadaprana. Isso deve ter sido por volta de quando Bharatiprana Mataji estava ficando em Varanasi. Mataji era então Sarala Di, antes de assumir a liderança do monastério da Santa Mãe, o Sri Sarada Math. Um evento importante que aconteceu durante aquele tempo (em 1949) foi descrito no livro da seguinte maneira por Ushadevi Rani: 


“Durante a última doença de Radhu, Satyen Maharaj organizou tudo para o seu tratamento e a enviou para Varanasi. Priya Maharaj supervisionou a organização e Sarala Di cuidou de Radhu por dois meses. Ela fazia a comida de Radhu e às 11h nós duas íamos servi-la. Todos sabem do comportamento grosseiro de Radhu com a Santa Mãe. No entanto, durante sua doença final, a Santa Mãe preencheu todo o seu ser: ‘Veja a mudança nela!’, comentei com Sarala Di. Calmamente, ela disse: ‘Radhu é Yogamaya, o poder divino no qual a Mãe se apoiou para viver no mundo relativo. Ela não mudaria no final? Para este passatempo divino, Radhu teve que encarar o papel de uma pessoa insana. Agora que o trabalho foi feito, o que mais ela faria além de chamar pela Santa Mãe?’. Radhu estava inquieta para voltar a Jayrambati e disse: ‘Eu não quero morrer em Varanasi e atingir o Nirvana. Eu quero ir para a Mãe’. Sarala Di tentou persuadi-la a abandonar a ideia de ir para Jayrambati. “Fique aqui e você ficará bem’, ela disse. Mas Radhu não ouvia: ‘Não, Sarala Di, você está fazendo muito por mim, mas não me diga que não devo voltar à Mãe. Por que eu deveria morrer aqui e atingir o Nirvana? Que Satyen Da (Swami Atmabodhananda), Priya Da (Swami Atmaprakashananda) morram aqui. Eu irei para a Mãe. Não ficarei aqui. Gagan Da, leve-me para a casa da Mãe e deixe-me lá com ela’. Que surpresa! Aconteceu exatamente como ela desejava. Devido a sua insistência, Gagan Maharaj a levou para Jayrambati e dentro de quinze dias, Radhu faleceu no quarto da Mãe.” (pgs. 120-121)


Baixe em PDF: Academia.edu

Friday, July 17, 2026

A Ciência do Hamsa - Srimad Bhagavatam - 11.13 - O Hamsa Avatar responde às perguntas dos filhos de Brahma - português

 

Brahma e seus filhos contemplam o Hamsa Avatar

Este excerto do Srimad Bhagavatam, o capítulo 13 do Canto 11, descreve a aparição do avatar de Cisne, o Hamsa, do Senhor Supremo [este avatar está na categoria dos Lilavatars, avatares secundários, que não fazem parte dos dez avatares principais]. O trecho é parte da conversa que Sri Krishna está tendo com seu primo e devoto Uddhava, um longo diálogo transcendente em que Ele dá Sua última mensagem, pouco antes de deixar o plano material. Dada a importância deste diálogo, ele é reconhecido como os ensinamentos finais de Sri Krishna e foi compilado separadamente ao Bhagavatam, ficando conhecido como Uddhava Gita, ou Hamsa Gita, e tem tanta importância quanto à outra Gita mais conhecida, a Bhagavata, proferida no campo de batalha em meio a um mar de ações e desejos, ao contrário da Uddhava, falada por Krishna na paz de Seu castelo em Dwarka como a última mensagem sobre a liberação. 


Neste capítulo em especial é quando o epíteto Hamsa Gita ganha sentido. Partindo de uma pergunta que o semideus criador, Brahma, não pôde responder a seus filhos pois estava tão emaranhado em sua própria criação que não sabia a resposta, o Senhor Vishnu aparece diante deles e toma a forma de um cisne. A ave, por sua capacidade inata e precisa de separar o leite da água, é o símbolo da alma individual que possui a capacidade de discernir e discriminar entre o real e o ilusório, ensinamento central do texto. 


Para um entendimento maior sobre o significado mais aprofundado de cada verso, utilize a versão original de Srila Prabhupada, disponível no Vedabase (em inglês).


Baixe em PDF: Academia.edu.


º º º


Intro:


Neste capítulo, o Senhor Sri Krishna explica a Uddhava como os seres humanos, sobrecarregados pela gratificação dos sentidos, ficam amarrados aos três modos da natureza, e como renunciar a tais modos. O Senhor então descreve como Ele apareceu em Sua forma de Hamsa diante de Brahma e dos quatro sábios encabeçados por Sanaka, e revelou a eles diversas verdades confidenciais. 



Os três modos - bondade, paixão e ignorância - estão relacionados à inteligência material, não à alma. Deve-se conquistar os modos mais baixos da paixão e da ignorância com o modo da bondade e, depois, deve-se avançar até o modo da bondade ao agir no modo transcendental da bondade pura. Ao associar-se com o mundo no modo da bondade, torna-se mais situado naquele modo. Os três modos aumentam suas diferentes influências através de tipos variados de escrituras, água, local, tempo, beneficiários da atividade, natureza da atividade, nascimento, meditação, mantras, rituais de purificação e outros. 


Na ausência da discrimiação, a pessoa se identifica com o corpo material e, por consequência, o modo da paixão, que produz sofrimento, domina a mente, a qual está normalmente no modo da bondade. À medida que a mente desenvolve sua função de decisão e dúvida, ela cria desejos insuportáveis ​​por gratificação sensorial. Pessoas infelizes que são desorientadas pelos impulsos da paixão tornam-se escravas de seus sentidos. Embora saibam que o resultado final de suas atividades seja o sofrimento, elas não conseguem evitar conectarem-se a tais atividades. Uma pessoa que discrimina, por outro lado, mantém-se desapegada dos objetos dos sentidos e, utilizando a renúncia adequada, toma refúgio no serviço devocional puro.


O próprio Senhor Brahma não possui causa material. Ele é a causa da criação de todos os seres vivos e é o maior dentre todos os semideuses. Ainda assim, mesmo Brahma está sempre sofrendo com a agitação da mente devido aos deveres que deve executar; portanto, quando ele foi questionado por seus filhos liderados por Sanaka, que haviam nascido de sua mente, sobre como desviar-se dos desejos por gratificação sensorial, ele foi incapaz de dar-lhes uma resposta. Para que recebesse uma resposta sobre o assunto, ele tomou refúgio na Suprema Personalidade de Deus e foi quando o Supremo Senhor apareceu diante dele na forma da encarnação do cisne, o Senhor Hamsa. O Senhor Hamsa passou a dar instruções sobre a identidade categórica do ser, dos diferentes estados de consciência (vigília, sono e sono profundo) e das maneiras de se conquistar a existência material. Os sábios liderados por Sanaka libertaram-se de todas as dúvidas ao ouvirem as palavras do Senhor, e O adoraram com devoção pura em amor maduro por Deus.


Diálogo:


1. A Suprema Personalidade de Deus disse: Os três modos da natureza material, conhecidos como bondade, paixão e ignorância, pertencem à inteligência material e não à alma espiritual. Com o desenvolvimento da bondade material, pode-se conquistar os modos da paixão e da ignorância, e com o cultivo da bondade transcendental, poderá se libertar até mesmo da bondade material.


2. Quando a entidade viva se estabelece fortemente no modo da bondade, então os princípios religiosos, caracterizados pelo serviço devocional a Mim, tornam-se proeminentes. Pode-se fortalecer o modo da bondade através do cultivo daquilo que já está situado na bondade, e assim os princípios religiosos surgem.


3. Os princípios religiosos, fortalecidos pelo modo da bondade, destroem a influência da paixão e da ignorância. Quando a paixão e a ignorância são superadas, sua causa original, a irreligião, é rapidamente extinguida. 


4. As escrituras religiosas, a água, a associação com os próprios filhos ou com pessoas em geral, lugar, tempo, atividades, nascimento, meditação, entoação de mantras e rituais purificadores determinam a predominância de um tipo de modo específico.

5. Dentre os dez itens que mencionei, os grandes sábios, que compreendem o conhecimento védico, elogiam e recomendam os itens que estão no modo da bondade, criticam e rejeitam aqueles no modo da ignorância e demonstram indiferença àqueles no modo da paixão.


6. Até que consiga reavivar o conhecimento direto da alma espiritual e deixar de lado a identificação ilusória com o corpo material e com a mente, causados pelos três modos da natureza, deve-se cultivar aquilo que está no modo da bondade. Ao aumentar o modo da bondade, pode-se automaticamente compreender e praticar os princípios religiosos, e com tal prática, o conhecimento transcendental é despertado. 


7. Em uma plantação de bambu, às vezes o vento faz com que os caules dos bambus rocem uns nos outros, e essa fricção gera um incêndio violento que consome a própria fonte de seus nascimentos, a plantação de bambu. Assim, o fogo é automaticamente acalmado por sua própria ação. Da mesma forma, pela competição e interação dos modos da natureza material, os corpos densos e sutis são gerados. Para aquele que usa seu corpo e mente para cultivar o conhecimento, essa iluminação destrói a influência dos modos da natureza que geraram o próprio corpo. Assim como o fogo, corpo e mente são pacificados por suas próprias ações ao destruírem a fonte de seu nascimento.

8. Sri Uddhava disse: Meu querido Krishna, geralmente os seres humanos sabem que a vida material traz imensa infelicidade futura, e ainda assim, eles tentam desfrutar da vida material. Meu querido Senhor, como alguém com conhecimento age de maneira semelhante a um cachorro, um asno ou um bode?


9-10. A Suprema Personalidade de Deus disse: Meu querido Uddhava, a pessoa desprovida de inteligência primeiro identifica a si mesma falsamente com o corpo material e com a mente, e quando surge este conhecimento falso dentro da consciência de alguém, a paixão material, que é a causa de grandes sofrimentos, permeia a mente, que, por natureza, está situada na bondade. Então a mente, contaminada pela paixão, torna-se absorta em fazer e modificar muitos planos para o avanço material. Portanto, por pensar constantemente nos modos da natureza material, um tolo se aflige com desejos materiais insuportáveis. 


11. Aquele que não controla os sentidos materiais fica sob o controle dos desejos materiais e por isso torna-se muito perturbado pelas fortes ondas do modo da paixão. Tal pessoa executa as atividades materiais, embora saiba perfeitamente que o resultado será um infortúnio futuro.


12. Embora a inteligência de uma pessoa letrada possa ser perturbada pelos modos da paixão e da ignorância, ela deve restaurá-la cuidadosamente sob seu próprio controle. Ao ver claramente a contaminação dos modos na natureza, ela não se torna apegada.


13. Uma pessoa deve ser atenta e séria, nunca preguiçosa ou melancólica. Dominando as técnicas de yoga sobre respiração e postura corretas, deve-se praticar fixando a mente em Mim ao amanhecer, ao meio-dia e no por-do-sol, assim, gradualmente a mente deve ficar completamente absorta em Mim. 


14. O verdadeiro sistema de yoga como ensinado pelos Meus devotos, liderados por Sanaka-kumara, é simplesmente este: recolhendo a mente de todos os outros objetos, deve-se direta e apropriadamente absorver-se em Mim. 


15. Sri Uddhava disse: Meu querido Krishna, em qual momento e em qual forma Tu instruístes a ciência do yoga a Sanaka e seus irmãos? Desejo saber a respeito.


16. A Suprema Personalidade de Deus disse: Certa vez, os filhos mentais do Senhor Brahma, ou seja, os sábios liderados por Sanaka, indagaram de seu pai sobre o difícil assunto do objetivo supremo do yoga.


17. Os sábios disseram: Ó Senhor, a mente das pessoas naturalmente se atrai aos objetos dos sentidos, e do mesmo modo, os objetos dos sentidos, na forma de desejos, entram em nossa mente. Portanto, como pode uma pessoa que almeja a liberação, que almeja transcender as atividades de gratificação dos sentidos, destruir a relação mútua entre os objetos dos sentidos e a mente? Por favor, explique-nos.


18. A Suprema Personalidade de Deus disse: Meu querido Uddhava, o próprio Brahma, que nasceu diretamente do corpo do Senhor e que é o criador de todas as entidades vivas no mundo material, sendo o melhor dentre os semideuses, contemplou com seriedade o questionamento de seus filhos. A inteligência de Brahma, no entanto, tinha sido afetada por suas próprias atividades de criação, e por isso ele não conseguia descobrir a resposta primordial para aquela pergunta. 


19. O Senhor Brahma desejava obter a resposta ao questionamento que o estava instigando, e por isso ele fixou sua mente em Mim, o Supremo Senhor. Naquele momento, em Minha forma de cisne, Eu apareci visível ao Senhor Brahma.


20. Ao Me ver, os sábios, colocando Brahma como o líder, prosseguiram e adoraram Meus pés de lótus. Depois, perguntaram honestamente: “Quem és Tu?”.


21. Meu querido Uddhava, os sábios, ávidos por compreender a verdade última do sistema de yoga, assim questionaram a Mim. Agora, ouça enquanto explico aquilo que falei aos sábios.


22. Meus queridos Brahmanas, se, quando perguntam-Me sobre quem Eu sou, vocês creem que sou também uma alma jiva e que não há uma diferença fundamental entre nós - uma vez que todas as almas são, em última análise, uma única, sem individualidade - então, como pode este seu questionamento ser possível ou adequado? Em última análise, qual é a verdadeira situação ou o lugar de repouso tanto de vocês quanto de Mim?


23. Se, ao questionarem-Me “Quem és Tu?”, estão se referindo ao corpo material, devo afirmar que todos os corpos materiais são constituídos dos cinco elementos, a saber: terra, água, fogo, ar e éter. Por isso, vocês deveriam ter perguntado: “Quem são Vós cinco?”. Se consideram que todos os corpos materiais são fundamentalmente um, sendo constituído essencialmente dos mesmos elementos, seu questionamento continua sendo sem sentido, uma vez que não haveria um propósito profundo entre diferenciar um corpo do outro. Portanto, parece que ao questionarem Minha identidade, estão meramente proferindo palavras, sem qualquer significado real ou propósito. 


24. Neste mundo, tudo aquilo que é percebido pela mente, pela fala, pelos olhos e outros sentidos é somente Eu e nada além de Mim. Todos vocês, por favor, compreendam isso com uma análise franca dos fatos.


25. Meus queridos filhos, a mente possui uma propensão natural de adentrar nos objetos dos sentidos, e do mesmo modo, os objetos dos sentidos adentram a mente, porém, tanto a mente material quanto os objetos dos sentidos são meramente desígnios que cobrem a alma espiritual, que é uma parte de Mim. 


26. A pessoa que assim Me alcançou, ao compreender que ela não é diferente de Mim, percebe que a mente material está alojada nos objetos dos sentidos devido ao senso de gratificação constante, e que os objetos materiais existem proeminentemente dentro da mente material. Ao compreender Minha natureza transcendental, o ser abandona tanto a mente material como seus objetos.


27. Vigília, sono e sono profundo são as três funções da inteligência e são causadas pelos modos da natureza material. Constata-se que a entidade viva dentro do corpo possui características diferentes desses três estados e, portanto, permanece como testemunha deles.  


28. A alma espiritual está presa às amarras da inteligência material, o que garante à alma ligação constante aos modos ilusórios da natureza. Porém, Eu sou o quarto estágio da consciência, além da vigília, do sonho e do sono profundo. Ao ficar situada em Mim, a alma deve abandonar as amarras da consciência material. Quando isso acontecer, a entidade viva irá automaticamente renunciar aos objetos dos sentidos e da mente materiais. 


29. O falso ego da entidade viva a aprisiona e concede-lhe exatamente o oposto daquilo que ela realmente deseja. Portanto, a pessoa inteligente deve abandonar sua ansiedade constante de desfrutar da vida material e deve permanecer situada no Senhor, que está além das funções da consciência material.


30. De acordo com Minhas instruções, deve-se fixar a mente apenas em Mim. Se, no entanto, continuar a enxergar muitos valores e objetos diferentes para a vida em vez de perceber tudo dentro de Mim, então, embora aparentemente desperto, o sujeito está na verdade dormindo devido ao conhecimento incompleto, assim como pode-se sonhar que está acordado dentro de um sonho. 


31. Tais estados de existência que são concebidos como sendo separados da Suprema Personalidade de Deus não possuem existência real, embora criem um senso de separação da Verdade Absoluta. Assim como o observador do sonho imagina muitas atividades diferentes e recompensas, do mesmo modo, devido ao sentido de uma existência separada da existência do Senhor, a entidade viva executa falsamente atividades fruitivas, pensando nelas como sendo a causa de recompensas e destinos futuros. 


32. Enquanto acordada, a entidade viva desfruta, com todos seus sentidos, das características transitórias do corpo e da mente materiais; enquanto sonha, ela desfruta de experiências semelhantes dentro da mente, e no sono profundo sem sonhos, todas essas experiências se fundem à ignorância. Ao recordar e contemplar a sucessão de vigília, sonho e sono profundo, a entidade viva pode compreender que ela é a mesma ao longo dos três estágios de consciência e é transcendental. Desta maneira, ela se torna o senhor dos sentidos.


33. Você deve considerar como, sob a influência da Minha energia ilusória, esses três estados da mente, causados ​​pelos modos da natureza, foram artificialmente imaginados como existentes em Mim. Tendo definitivamente constatada a verdade da alma, vocês devem utilizar a afiada espada do conhecimento, conquistada pela reflexão lógica e a partir das instruções dos sábios e da literatura védica, para aniquilar completamente o falso ego, que é solo fértil para todas as dúvidas. Todos devem então adorar a Mim, que estou situado dentro do coração.


34. É preciso perceber que o mundo material é uma ilusão distinta que aparece na mente, porque os objetos materiais possuem uma existência extremamente oscilante e estão aqui hoje e amanhã não estão mais. Eles podem ser comparados ao raio vermelho criado ao girar um bastão em brasa. A alma espiritual por natureza existe em um único estado de consciência pura. No entanto, neste mundo, ela aparece sob formas e estados diferentes de existência. Os modos da natureza dividem a consciência da alma entre vigília normal, sonho e sono sem sonho. Todas essas variedades de percepção, no entanto, são na verdade maya e existem apenas como um sonho. 


35. Tendo compreendido a natureza temporária ilusória das coisas materiais, e assim tendo retirado a visão da ilusão, deve-se permanecer sem desejos materiais. Ao experimentar a felicidade da alma, deve-se abandonar as atividades materiais. Se, por vezes, precisar observar o mundo material, deve-se lembrar que ele não é a realidade última e portanto deve ser abandonado. Pela lembrança constante até o momento da morte, o sujeito não cairá novamente em ilusão. 

36. Assim como um homem embriagado não percebe se está vestindo seu casaco ou sua camisa, da mesma forma, aquele que é perfeito na autorrealização e que, assim, alcançou sua identidade eterna não percebe se o corpo temporário está sentado ou em pé. De fato, se pela vontade de Deus o corpo chega ao fim ou se, pela vontade de Deus, obtém-se um novo corpo, uma alma autorrealizada não percebe isso, tal como um homem embriagado não percebe a situação de suas vestes externas.


37. O corpo material certamente se movimenta sob o controle do supremo destino, e por isso deve continuar a viver junto aos sentidos e ao ar vital enquanto o karma pessoal estiver ativo. Uma alma autorrealizada, que está desperta para a realidade absoluta e que está assim situada em perfeito estágio de yoga, nunca mais se renderá ao corpo material e a suas diversas manifestações, sabendo que isso não é nada além de um corpo visualizado em sonho.


38. Meus queridos Brahmanas, Eu expliquei a vocês o conhecimento confidencial de Sankhya pelo qual distingue-se filosoficamente a matéria do espírito, e a Ashtanga Yoga, pela qual une-se ao Supremo. Compreendam que Eu sou a Suprema Personalidade de Deus, Vishnu, e que Eu apareci diante de vocês desejoso de explicar os verdadeiros deveres religiosos. 


39. Ó, melhores dentre os Brahmanas, saibam que Eu sou o refúgio supremo do sistema de yoga, da filosofia analítica, da ação virtuosa, dos verdadeiros princípios religiosos, do poder, da beleza, da fama e do autocontrole. 


40. Todas as qualidades superiores transcendentais, como estar além dos modos da natureza, estar desapegado, ser bem-querente, o mais adorado, a Superalma, igualmente situado em todos os lugares e livre do emaranhamento material, todas essas qualidades, livres das transformações dos modos materiais, encontram refúgio e objeto de adoração em Mim. 


41. (O Senhor Krishna continuou:) Meu querido Uddhava, desta forma todas as dúvidas dos sábios encabeçados por Sanaka foram sancionadas por Minhas palavras. Ao Me adorarem completamente com amor e devoção transcendentais, eles entoam as Minhas glórias com hinos excelentes. 


42. Os grandes sábios, liderados pelo rishi Sanaka, assim adoraram e glorificaram perfeitamente a Mim, e enquanto o Senhor Brahma observava, Eu retornei à Minha morada. 


º º º

Traduzido para o inglês por A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Publicado por The Bhaktivedanta Book Trust International, Inc.

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho



Saturday, March 28, 2026

Garbha Upanishad - português

 

“Embrião cósmico” registrado pelo telescópio espacial James Webb em 2025


Garbha, ou ventre, é o objeto deste Upanishad, que muito antes da ciência moderna, instruiu sobre a concepção do embrião e a formação do corpo humano em fase uterina. A morfologia humana é descrita com minúcias, e também o adquirir da consciência espiritual sobre Brahman e o esquecimento que segue o nascimento, o véu de Maya, que recai sobre a jiva assim que ela recebe o sopro vital.  

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º º º


Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!

O corpo é quíntuplo por natureza (os cinco elementos). Ele existe nestes cinco e depende do sexto (sabores da comida), conectado às seis qualidades (karma, etc.), aos sete dhatus [os tecidos do corpo humano: plasma e linfa, músculo, sangue, gordura, ossos, medula óssea e nervos, tecidos reprodutivos], as três impurezas, três yonis (de excreção) e quatro tipos de alimento. Por que dizer “quíntuplo por natureza”? Refere-se aos cinco elementos, terra, água, fogo, vento e éter. Neste corpo, tudo aquilo que é duro é de terra, o que é líquido é água, o que é quente é fogo, tudo que se move é ar e o espaço contido é o éter. A função da terra é manter, da água é consolidar (a digestão, etc), do fogo é ver, do vento é mover-se e do éter é dar espaço (para as funções vitais).

Os olhos são usados para ver as formas, os ouvidos para o som, a língua para saborear, a pele e o nariz para tocar e cheirar, respectivamente, as genitais para o prazer, apana [um dos três ares vitais] é para a evacuação (do intestino). O sujeito aprende através do intelecto, deseja através da mente e fala através da língua. O suporte sêxtuplo são os seis sabores (dos alimentos): doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente.

Sadja, Risabha, Gandhara, Panchama, Madhyama, Dhaivata, Nisadha - estes são os seis sons agradáveis e desagradáveis. Branco, vermelho, preto esfumado, amarelo, marrom e branco pálido - estas são as cores dos sete dhatus. Por que? Para Devadatta (qualquer pessoa), surge em sua mente a vontade de desfrutar dos objetos. Do prazer da comida nasce o sangue, a partir do sangue nasce a carne, depois a gordura, os ossos, o tutano e o sêmen. Pela combinação de sêmen com sangue, o feto nasce. Um calor vital surge no útero e no abdômen. Na sede do ardor da bile, o prana flui – no momento adequado determinado pelo criador.

O embrião que permanece no ventre por um dia e uma noite é uma massa confusa; após sete dias, ele se torna uma bolha; após uma quinzena, uma massa; e em um mês, enrijece. Em dois meses desenvolve-se a região da cabeça; em três meses, os pés; no quarto mês, abdômen e quadris; no quinto, a espinha dorsal; no sexto, o nariz, os olhos e os ouvidos; no sétimo, o embrião começa a ganhar vida e no oitavo mês, ele fica completo. 

Com a predominância do sêmen do pai, o embrião se torna masculino; se com predominância do óvulo da mãe, torna-se feminino. Quando ambos são iguais, um eunuco. Se, no momento da concepção, os pais estão agitados, a criança será cega, aleijada, corcunda ou terá o crescimento retardado. Se o casal tiver problemas com os ares vitais, o sêmen entra em duas partes, resultando em gêmeos. 

No oitavo mês, em conjunto com os cinco ares vitais, a jiva adquire a capacidade de saber de seus nascimentos passados, concebe o Atma imperecível, conhecido como Om, através do conhecimento perfeito e da meditação. Ao conhecer o Om, ele enxerga no corpo as oito prakritis [aspectos da natureza material]; de onde surgem os elementos mente, intelecto e ego [junto à terra, fogo, água, ar e éter], e as dezesseis mudanças (veja o Prasna Upanishad).

O corpo se completa no nono mês e relembra o nascimento passado. Ações feitas e não feitas passam diante dele e ele reconhece a natureza boa e ruim do karma.

“Eu já vi milhares de ventres, comi diversos alimentos e me amamentei em muitos seios; constante nascimento e morte, estou imerso em tristeza mas não há remédio. Se conseguir me livrar disso, recorrerei ao Sankhya Yoga, que destrói a miséria e proporciona a liberação; ou recorrerei a Maheshvara, aquele que destrói a miséria. Ou recorrerei a Narayana, que destrói a miséria. Se cometi atos bons e ruins pelo bem de meus dependentes, eu devo ser queimado devido a tais atos - os outros que desfrutaram dos resultados saem inafetados.” 

O indivíduo, que está, por assim dizer, sendo comprimido [durante o parto], por uma máquina, é tocado pelo ar onipresente [o sopro vital soprado para dentro das narinas ao sair do ventre] e esquece vidas e feitos anteriores.

O corpo é composto por três fogos: o Kosthagni, que amadurece tudo o que é comido; o Darsanagni, que auxilia a ver as cores, etc.; e o Jnanagni, a mente que permite executar atos bons e ruins. 

O Daksinagni está no coração; Garhapatya no abdômen e Ahavaniya na boca. O intelecto é consorte do executor [dos atos], o contentamento é Diksha, os órgãos dos sentidos são utensílios, a cabeça é o jarro, o cabelo o cálice sagrado, a boca o interior do altar, etc. 

O coração mede oito palas [medida usada na ayurveda que equivale a cerca de 48g]; a língua 12 palas; a bile é um prastha [640g], a fleuma um adhaka [3kg]. Sukla [sêmen] tem um kudupa [200-250ml], a gordura dois prasthas, a urina e o mala dois prasthas cada, dependendo do que é ingerido diariamente.

A escritura da liberação exposta pelo sábio Paippalada se encerra.

Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!

Aqui termina o Garbha Upanishad, como contido no Krishna Yajur Veda

º º º

Traduzido para o inglês por Dr. A. G. Krishna Warrier

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

Publicado por The Theosophical Publishing House, Chennai

[N. do T.: as informações em colchetes são adendos do tradutor.]

Sunday, February 1, 2026

Brahma Vidya Upanishad - português

 

Kamal Boullata, Deus, 1983

Brahma Vidya é literalmente o conhecimento, a sapiência sobre Brahman, a ciência a respeito da essência de Deus, do Absoluto, do que Ele é feito, onde Se encontra e como conquistá-Lo. Este Upanishad está na categoria dos Yoga Upanishads e é mais um título que explora a sílaba sagrada Om e como unir-se a ela. Como é o corpo, onde surge, como atinge seu fim e como desaparece o Om? Estas são indagações respondidas neste manuscrito, que também trata da natureza sonora das letras que compõem Om. 


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Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!


Eu declaro que o conhecimento de Brahman, que é onisciente, é o mais elevado. Ele mostra a origem e o fim: Brahma, Vishnu, Maheshvara. Vishnu, ao trabalhar com seu poder miraculoso, torna-Se, no momento correto, um ser humano devido à compaixão. Seu segredo, como o fogo do Om, reside no conhecimento de Brahman. A sílaba Om é Brahman. Assim, em verdade, os conhecedores de Brahman ensinam. O corpo, a localidade, o fim e a extinção desta sílaba, eu proclamarei.


1. O corpo, ou shariram, do som Om:

Há três deuses e três mundos, três Vedas e três fogos. Três moras* e a metade de mora. Neste trissílabo [Om, constituído por três letras: a, u, m], [reside] o Pleno. O Rig Veda [é] grahapatya**. A Terra junto a Brahman como deidade que preside formam o corpo do som “a”, como explicado pelos conhecedores de Brahman. O Yajur Veda e a região mediana [plano astral], junto ao fogo dakshina** e ao Santo Deus Vishnu, é o som de “u” proclamado a nós. O Sama Veda e o céu, o fogo ahavaniya** e Ishvara, o mais supremo Deus, são o som de “m” proclamado a nós. 


[* Palavra em sânscrito que descreve uma unidade de tempo; no caso, refere-se ao tempo do som, das letras de uma palavra, como as vogais longas e curtas, típicas do sânscrito.] 


[** Grahapatya, Dakshina e Ahavaniya são os três fogos sacrificiais da era védica. O primeiro era o fogo doméstico, feito por chefes de família e oferecido; o segundo é conhecido como fogo do sul, é o fogo sacrificial em rituais de oferendas; o terceiro é o fogo das oblações, quando as oferendas são dadas diretamente às deidades.]


2. A localização, ou sthanam, do som Om:

No meio da concha cerebral, como o brilho do sol, reluz a letra “a”. Dentro da concha situa-se o som de “u”, como o esplendor lunar. O som “m” também, como o fogo, sem fumaça, assemelhando-se a um relâmpago. Assim reluzem os três moras, como o sol, a lua e o fogo. Ali, sobre uma chama pontiaguda, há a luz de uma tocha. Conheça-a como a metade de mora, que é escrito acima da sílaba [o sinal acima do grafema de Om, ॐ].

3. O fim, ou kala, do som Om:

Embora apenas uma, como uma chama pontiaguda e sutil, como fibra de lótus, brilhante como o sol, a artéria cerebral, que passa por dentro [do cérebro] penetra o Om. Através do Sol e de setenta e duas mil artérias, rompe a cabeça e permanece como portadora de bênçãos para todos, permeando todo o Universo [i.e. atinge um estado elevado, como os níveis de samadhi].


4. O desaparecimento/desvanecimento, ou laya, do som Om:

Assim como o som de um utensílio de metal, ou de um gongo, se extingue em silêncio, ele também, aquele que busca pelo Todo, deixa que o som de Om se desvaneça em silêncio. Pois aquilo em que o som se dissipa é Brahman, o Supremo. Sim, todo o som é Brahman e conduz à imortalidade. 


Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!


Aqui termina o Brahma Vidya Upanishad, como contido no Krishna Yajur Veda.


º º º

Sem autor definido. Retirado de 108 Upanishads, compilado por Richard Sheppard

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]


Monday, January 19, 2026

A Maternidade de Deus - Swami Abhedananda

 

Nicholas Roerich, A Mãe do Mundo, 1924


Swami Abhedananda, um dos discípulos diretos de Sri Ramakrishna, disseminou Ocidente afora uma nova noção da adoração a Deus: a de que Ele fosse adorado como Ela, a Mãe Divina. Didático e certeiro como sempre, o Swami levou e introduziu este novo conceito, a Maternidade de Deus, às mentes ocidentais que até então, no final do século XIX, ainda pensavam em Deus como o masculino, sem considerar a parte feminina da criação. Swami Abhedananda abordou o tema em Londres, entre 1886-87, e mais tarde em Nova York, onde teve sua palestra transcrita e publicada como livro, lançado em 1899.

Baixe em PDF: Academia.edu.

Thursday, December 11, 2025

Swami Prabhavananda sobre a Santa Mãe

 


Tradução de um artigo publicado em duas partes pela revista American Vedantist, com os relatos de Swami Prabhavananda sobre sua convivência com a Santa Mãe Sri Sarada Devi.


Swami Prabhavananda (1893 - 1976) conheceu a Santa Mãe Sri Sarada Devi quando tinha 14 anos. Ao ser profundamente tocado pelo poder divino dela, teve sua vida transformada e a inclinação para seguir o caminho monástico. Foi iniciado por Swami Brahmananda e em 1914 entrou para a Ordem Ramakrishna, tendo servido a Santa Mãe diretamente em diversas ocasiões, além de dividir momentos únicos ao lado dela ou com aqueles que com ela viviam. A partir de suas experiências pessoais, Swami Prabhavananda dedicou muitos de seus discursos falados e escritos a recontar as maravilhas que presenciou naquela época, sendo testemunha ocular da poderosa influência espiritual que a Santa Mãe exercia naquele início da Ordem Ramakrishna e em tantos milhares de devotos que foram até ela. Este artigo, publicado na revista American Vedantist, é um compilado de histórias contadas ao longo dos anos pelo Swami, tanto em palestras quanto em escritos, e traz detalhes corriqueiros de suas vivências com ela. Swami Prabhavananda escreveu diversos textos sobre a Santa Mãe e também foi gravado em vídeo e áudio, nos anos 70, discursando sobre ela, materiais que estão hoje facilmente acessíveis na internet - assista a duas palestras do Swami no Youtube: 1962 e 1973. Swami Prabhavananda foi para os Estados Unidos em 1923 e lá fundou a Vedanta Society do sul da Califórnia e de Portland. É autor, dentre outras, de obras como O Sermão da Montanha de acordo com a Vedanta e coautor de O Eterno Companheiro


Baixe em PDF: Academia.edu.




Os Últimos Dias de Radhu

Cena que retrata o momento em que Sri Sarada Devi tem uma visão de  Sri Ramakrishna sobre a sobrinha Radhu Este texto curto é um post feito ...