Monday, July 27, 2026

Os Últimos Dias de Radhu

Cena que retrata o momento em que Sri Sarada Devi tem uma visão de 

Sri Ramakrishna sobre a sobrinha Radhu



Este texto curto é um post feito por Swami Sampurnanada, monge da Ordem Ramakrishna, e publicado em seu blog, Little Little Stories, sobre como Radhu, sobrinha da Santa Mãe Sarada Devi, passou os dias finais de sua conturbada vida. A segunda parte é um comentário feito na postagem, em que um devoto dá mais detalhes.


Conhecida na história da Santa Mãe como sua Yogamaya, a menina Radhu era figura central dos dias que Sri Sarada Devi passou na Terra. O termo Yogamaya, ou aquilo que mais nos prende ao mundo, foi dado à menina por Sri Ramakrishna numa visão que a Santa Mãe teve pouco após o nascimento dela, e queria dizer que a criança teria um papel fundamental para que Sri Sarada Devi demonstrasse sua divindade através de ações do dia a dia, de dona de casa, de mãe. 


A menina foi o que manteve Sri Sarada Devi executando ações tão seculares e comuns, uma vez que, não fosse por precisar cuidar de Radhu, a Santa Mãe provavelmente viveria em permanente estado de êxtase divino. Radhu mantinha a mente da Mãe no plano terreno e foi por quem a Mãe mais se dedicou em vida.


Santa Mãe e Radhu em foto de 1918 por Brahmachari Ganendranath, em Jayrambati



Por Swami Sampurnananda 


Radhu admirava a tia em qualquer assunto de sua vida. Ela havia perdido o pai quando ainda estava no ventre da mãe e perdeu a mãe para a insanidade pouco após seu nascimento. Quando criança, ela chorava, engatinhando desesperadamente para alcançar a mãe que era, ela mesma, mentalmente uma criança ainda, brincando de arrastar panos coloridos enquanto a tia corria para pegá-la. 


Ela cresceu no colo da tia. Sua tia também sofria pela perda do tio e Radhu era seu consolo enviado por Deus. Porém, sua tia estava a ponto de se tornar a Mãe Divina para cada e todas as crianças e adultos de perto e de longe, fazendo um tremendo trabalho de aconselhamento para tantos e guiando o destino de inúmeras pessoas que iam a ela. 


Certamente Radhu sentia ciúmes daquilo tudo. Qual criança iria gostar de centenas de irmãos e irmãs competindo? Ela cresceu sendo uma boa menina. Sua tia fez tudo que podia para educá-la, embora os outros parentes, acompanhando os costumes da época, tentavam impedir a menina de se desenvolver. Seu casamento, feito com uma cerimônia deslumbrante, não foi um grande sucesso. Ela retornou para a tia mais uma vez. No entanto, ela teve um grande choque quando a tia, em seus últimos dias, a recusou. Isso feriu seu amor? Mais tarde, quando o fim de Radhu surgiu, ela corajosamente preferiu morrer de tuberculose na casa onde havia vivido com sua tia, com suas lembranças sagradas, a viver em um hospital moderno em Varanasi. Ela e a tia eram ambas seres de luz, cada uma agindo de acordo com seu roteiro. 


Quando Swami Ishanananda (Varada Maharaj) - a quem Radhu e muitos outros da família da Mãe costumavam chamar de Gopal Da, já que Varada também era o nome de um dos irmãos da Mãe -, e outros tentaram convencer Radhu a ficar em Varanasi, o sentimento predominante que tinham era de que ela deveria morrer lá, e eles  tentavam esconder o fato de que ela estava com tuberculose em estado terminal. Porém, Radhu já tinha ouvido sobre sua saúde e disse: “Gopal Da, eu sei qual é a doença que tenho. Você quer que eu morra em Kashi para que eu obtenha Mukti. Vocês acham que aquela que me trouxe aqui, que cuidou tanto de mim, vocês acham que ela (a Santa Mãe) não virá a mim agora? Ainda que meu corpo seja jogado na sarjeta, ela (a Mãe) virá e me levará para a morada dela segurando minhas mãos. Eu quero viver na mesma casa onde vivi com ela e quero morrer lá”. Assim aconteceu. Ela morreu na mesma casa em Jayrambati onde costumava viver com a Mãe. 



Por Satwik Joglekar  


Eu também me perguntava sobre a outra parte da vida de Radhu e pude saber mais sobre a maravilhosa transformação de sua vida quando li A Blessed Life - Biografia de Pravrajika Bharatiprana, escrita por Pravrajika Jnanadaprana. Isso deve ter sido por volta de quando Bharatiprana Mataji estava ficando em Varanasi. Mataji era então Sarala Di, antes de assumir a liderança do monastério da Santa Mãe, o Sri Sarada Math. Um evento importante que aconteceu durante aquele tempo (em 1949) foi descrito no livro da seguinte maneira por Ushadevi Rani: 


“Durante a última doença de Radhu, Satyen Maharaj organizou tudo para o seu tratamento e a enviou para Varanasi. Priya Maharaj supervisionou a organização e Sarala Di cuidou de Radhu por dois meses. Ela fazia a comida de Radhu e às 11h nós duas íamos servi-la. Todos sabem do comportamento grosseiro de Radhu com a Santa Mãe. No entanto, durante sua doença final, a Santa Mãe preencheu todo o seu ser: ‘Veja a mudança nela!’, comentei com Sarala Di. Calmamente, ela disse: ‘Radhu é Yogamaya, o poder divino no qual a Mãe se apoiou para viver no mundo relativo. Ela não mudaria no final? Para este passatempo divino, Radhu teve que encarar o papel de uma pessoa insana. Agora que o trabalho foi feito, o que mais ela faria além de chamar pela Santa Mãe?’. Radhu estava inquieta para voltar a Jayrambati e disse: ‘Eu não quero morrer em Varanasi e atingir o Nirvana. Eu quero ir para a Mãe’. Sarala Di tentou persuadi-la a abandonar a ideia de ir para Jayrambati. “Fique aqui e você ficará bem’, ela disse. Mas Radhu não ouvia: ‘Não, Sarala Di, você está fazendo muito por mim, mas não me diga que não devo voltar à Mãe. Por que eu deveria morrer aqui e atingir o Nirvana? Que Satyen Da (Swami Atmabodhananda), Priya Da (Swami Atmaprakashananda) morram aqui. Eu irei para a Mãe. Não ficarei aqui. Gagan Da, leve-me para a casa da Mãe e deixe-me lá com ela’. Que surpresa! Aconteceu exatamente como ela desejava. Devido a sua insistência, Gagan Maharaj a levou para Jayrambati e dentro de quinze dias, Radhu faleceu no quarto da Mãe.” (pgs. 120-121)


Baixe em PDF: Academia.edu

No comments:

Post a Comment

Os Últimos Dias de Radhu

Cena que retrata o momento em que Sri Sarada Devi tem uma visão de  Sri Ramakrishna sobre a sobrinha Radhu Este texto curto é um post feito ...