Sunday, February 1, 2026

Brahma Vidya Upanishad - português

 

Kamal Boullata, Deus, 1983

Brahma Vidya é literalmente o conhecimento, a sapiência sobre Brahman, a ciência a respeito da essência de Deus, do Absoluto, do que Ele é feito, onde Se encontra e como conquistá-Lo. Este Upanishad está na categoria dos Yoga Upanishads e é mais um título que explora a sílaba sagrada Om e como unir-se a ela. Como é o corpo, onde surge, como atinge seu fim e como desaparece o Om? Estas são indagações respondidas neste manuscrito, que também trata da natureza sonora das letras que compõem Om. 


Baixe em PDF: Academia.edu.


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Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!


Eu declaro que o conhecimento de Brahman, que é onisciente, é o mais elevado. Ele mostra a origem e o fim: Brahma, Vishnu, Maheshvara. Vishnu, ao trabalhar com seu poder miraculoso, torna-Se, no momento correto, um ser humano devido à compaixão. Seu segredo, como o fogo do Om, reside no conhecimento de Brahman. A sílaba Om é Brahman. Assim, em verdade, os conhecedores de Brahman ensinam. O corpo, a localidade, o fim e a extinção desta sílaba, eu proclamarei.


1. O corpo, ou shariram, do som Om:

Há três deuses e três mundos, três Vedas e três fogos. Três moras* e a metade de mora. Neste trissílabo [Om, constituído por três letras: a, u, m], [reside] o Pleno. O Rig Veda [é] grahapatya**. A Terra junto a Brahman como deidade que preside formam o corpo do som “a”, como explicado pelos conhecedores de Brahman. O Yajur Veda e a região mediana [plano astral], junto ao fogo dakshina** e ao Santo Deus Vishnu, é o som de “u” proclamado a nós. O Sama Veda e o céu, o fogo ahavaniya** e Ishvara, o mais supremo Deus, são o som de “m” proclamado a nós. 


[* Palavra em sânscrito que descreve uma unidade de tempo; no caso, refere-se ao tempo do som, das letras de uma palavra, como as vogais longas e curtas, típicas do sânscrito.] 


[** Grahapatya, Dakshina e Ahavaniya são os três fogos sacrificiais da era védica. O primeiro era o fogo doméstico, feito por chefes de família e oferecido; o segundo é conhecido como fogo do sul, é o fogo sacrificial em rituais de oferendas; o terceiro é o fogo das oblações, quando as oferendas são dadas diretamente às deidades.]


2. A localização, ou sthanam, do som Om:

No meio da concha cerebral, como o brilho do sol, reluz a letra “a”. Dentro da concha situa-se o som de “u”, como o esplendor lunar. O som “m” também, como o fogo, sem fumaça, assemelhando-se a um relâmpago. Assim reluzem os três moras, como o sol, a lua e o fogo. Ali, sobre uma chama pontiaguda, há a luz de uma tocha. Conheça-a como a metade de mora, que é escrito acima da sílaba [o sinal acima do grafema de Om, ॐ].

3. O fim, ou kala, do som Om:

Embora apenas uma, como uma chama pontiaguda e sutil, como fibra de lótus, brilhante como o sol, a artéria cerebral, que passa por dentro [do cérebro] penetra o Om. Através do Sol e de setenta e duas mil artérias, rompe a cabeça e permanece como portadora de bênçãos para todos, permeando todo o Universo [i.e. atinge um estado elevado, como os níveis de samadhi].


4. O desaparecimento/desvanecimento, ou laya, do som Om:

Assim como o som de um utensílio de metal, ou de um gongo, se extingue em silêncio, ele também, aquele que busca pelo Todo, deixa que o som de Om se desvaneça em silêncio. Pois aquilo em que o som se dissipa é Brahman, o Supremo. Sim, todo o som é Brahman e conduz à imortalidade. 


Om! Que Ele nos proteja, que Ele nos alimente.

Que possamos trabalhar juntos com grande energia.

Que nosso estudo seja vigoroso e eficiente.

Que não disputemos mutuamente (ou, que não odiemos ninguém).

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!


Aqui termina o Brahma Vidya Upanishad, como contido no Krishna Yajur Veda.


º º º

Sem autor definido. Retirado de 108 Upanishads, compilado por Richard Sheppard

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]


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