Este Upanishad sobre a Joia Suprema da Yoga ressalta algumas práticas para o aspirante atingir os frutos de yug, a união com o Supremo, como as práticas de contemplação do Hamsa Mantra e Pranayama. Na tradução para o inglês de P.R. Ramachander há muitos versos indisponíveis, mas é possível ler o Upanishad na íntegra na versão (em inglês) de Swami Satyadharma.
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Om! Que meus membros e minha fala, o prana, os olhos, ouvidos, a vitalidade
E todos os sentidos tornem-se fortes.
Toda a existência é o Brahman dos Upanishads.
Que eu nunca renegue Brahman, nem que Brahman renegue e mim.
Que não haja negação alguma.
Que não haja negação alguma vinda de mim.
Que as virtudes proclamadas nos Upanishad estejam em mim,
Que sou devotado ao Atma.
Que elas estejam comigo.
Om! Que haja Paz em mim!
Que haja Paz no ambiente!
Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!
1. Eu narrarei o Yoga Chudamani Upanishad com a intenção de fazer bem aos yogues. Este Upanishad é muito apreciado pelos mais antigos conhecedores da Yoga. Ele é secreto e capaz de conceder a salvação.
(Versos 2-29 estão indisponíveis)
30. A Jivatma (a alma do indivíduo físico) está sob controle do prana, que sobe e desce, assim como de apana [outro tipo de ar vital]. O apana atrai o prana, o prana atrai o apana. Aquele que conhece e percebe esta atração mútua, que se move para cima e para baixo, compreende Yoga.
31. Este movimento [da respiração] vai para fora com o som de “ha” e volta para dentro com o som de “sa”. Os seres vivos entoam este mantra como “Hamsa, hamsa”.
32. Os seres estão sempre entoando este mantra, dia e noite, 21.600 vezes por dia.
33. Este mantra, chamado Ajapa Gayatri, traz a salvação para todos os yogues. Apenas um pensamento sobre este mantra já ajuda a livrar-se de todos os pecados.
34. Não há prática tão sagrada quanto esta, nenhuma entoação se equivale a esta, nenhuma sabedoria é equivalente, e, no futuro, é improvável que haja outra.
35. O Ajapa Gayatri que ascende da kundalini sustenta a alma. Esta é a maior dentre as ciências da alma. Quem souber disso, conhecerá os Vedas.
36. O poder da kundalini está acima do muladhara em sua forma com oito pétalas [costumeiramente, o muladhara contém quatro pétalas; com oito pétalas, é sua versão transcendental] e está sempre cobrindo a boca de sushumna [o canal de energia mais importante que conecta os chakras], que é o portão de Brahman.
37. É a Kundalini Parameshwari (a Deusa do Universo) que atravessa o portão de Brahman, fecha o portão com a boca e adormece.
38. Devido ao calor gerado pela prática da yoga, devido à velocidade do ar vital e devido ao poder mental dela, ela se levanta e, usando seu corpo em formato de agulha, sobe atravessando o canal sushumna.
39. Assim como as portas de uma casa se abrem ao usar uma chave, o yogi deve abrir o portão da salvação usando a Kundalini.
(Versos 40-71 estão indisponíveis)
72.1. Parabrahman é Om, é aquilo que existe, que é limpo, pleno de sabedoria, que não possui desvantagens, que é imaculado, indescritível, que não possui começo ou fim, que é um e apenas um, que é turiya, que existe em coisas do passado, do presente e do futuro, e que jamais será dividido. A partir deste Parabrahman emerge Parashakti, o aspecto feminino. Ela é a alma autorresplandecente. A partir desta alma surge o éter. Do éter surge o vento. Do vento surge o fogo. Do fogo surge a água, e da água, a terra. Estes cinco elementos são governados pelos cinco deuses: Sadashiva, Ishwara, Rudra, Vishnu e Brahma. Dentre eles, Brahma, Vishnu e Rudra fazem o trabalho da criação, manutenção e destruição, respectivamente. Brahma é rajásico, Vishnu é sátvico e Rudra é tamásico. Eles têm três propriedades distintas.
72.2. Dentre os deuses, Brahma foi o que primeiro surgiu. Dentre os que surgiram primeiro, Brahma se tornou o criador, Vishnu o mantenedor e Rudra o destruidor. De Brahma surgiram os mundos, os deuses, os homens e tudo aquilo entre eles. Dele nasceram coisas que não se movem. No caso do homem, o corpo é a forma unificada dos pancha bhutas (os cinco elementos). Os órgãos de conhecimento (jnanendriyas), os órgãos de ação (karmendriyas), as atividades relacionadas ao conhecimento e os cinco ares do corpo (prana, apana, etc.) estão na porção micro da mente; o intelecto, o poder de decisão e o sentimento de eu estão na porção macro e são chamados de sthula. Os órgãos de conhecimento, de ação, os cinco ares do corpo e o aspecto micro da mente e do intelecto são chamados de linga. O corpo tem três tipos de propriedades. Por isso, todos possuem três corpos.
Há quatro estados do corpo: estado de vigília, sonho, sono e turiya (estado espiritual exaltado). Os Purushas [Mestres] que habitam em nosso corpo e que controlam esses estados são Viswa [o mestre do consciente; habita a dimensão física], Thaijasa [o mestre do subconsciente; habita a dimensão sutil], Prajna [o mestre do inconsciente; habita a dimensão da bem-aventurança (ananda)] e Atma [sarvasakshi, a testemunha de todos os estados simultaneamente e além deles]. Viswa detém as experiências macro. Diferente dele, Thaijasa detém as experiências micro. Prajna detém as experiências prazerosas. Atma é a testemunha de todos eles.
73. O Atma, cuja forma é a de “Om”, está em todos os seres.
74. Nas três letras, A, U e M, três Vedas, três mundos, três características, três letras e três sons brilham. Deste modo, Pranava [Om] brilha. Quando despertos, a letra A existe nos olhos de todos os seres; quando sonham, a letra U existe no pescoço [e garganta] de todos os seres; e a letra M existe no coração de todos os seres quando eles adormecem.
75-78. A letra A existe em estado embrionário como Viswa, e no estado de pinda como Virat Purusha. A letra U existe como Thaijasa e Hiranyagarbha no estado micro. A letra M existe como estado causal e como Prajna. A letra A possui qualidades rajásicas, é vermelha e sua forma é a mesma do Senhor Brahma. A letra U possui qualidades sátvicas e sua forma é como a do Vishnu branco. A letra M possui qualidades tamásicas e sua forma é como a do Rudra negro. Brahma nasceu de Pranava. Vishnu também surgiu a partir dele, assim como Rudra. Pranava é o Parabrahman (Deus Supremo). Brahma se funde à letra A, Vishnu se funde à letra U e Rudra se funde à letra M. Em pessoas com sabedoria, Pranava está disposto para cima e entre os ignorantes está disposto para baixo.
79. Pranava existe desta maneira. Aquele que sabe disso, conhece os Vedas. Na forma do som anahatha [o som do cosmos que é “ouvido” pelo chakra cardíaco], o Pranava se desenvolve verticalmente no caso das pessoas sábias.
80. O som de Pranava é contínuo como o fluxo do óleo e é longo como o som de um sino. Seu pico é Brahman.
81. Este pico se ilumina de maneira tão brilhante que não pode ser descrito com palavras. Os grandes sábios descobrem isso usando o intelecto afiado. Aquele que sabe disso é considerado como um conhecedor dos Vedas.
82. O Hamsa Mantra (mantra do cisne) brilha no entremeio dos dois olhos; a letra “sa” [em hamsa] é conhecida como kechari, que significa “aquilo que viaja pelo céu”. É consentido que “sa” equivale à palavra “tvam” (tu) no famoso dizer védico “Tat Tvam Assi”, “você é Aquilo”.
83. É consentido que a letra “ha”, que é o Senhor de todo o universo, é a palavra “tat” (“aquilo”), no dizer mencionado anteriormente. Temos que meditar que a letra “sa” é a alma viajando entre nascimento e morte, e a letra “ha” é o Deus estável.
84. A entidade viva está presa a seus órgãos, mas Paramatma não. A entidade viva é egoísta, mas a alma não está presa pelo egoísmo e é independente.
85. A luz etérea que é Om é também o Atma, em cujos aspectos surgem os três mundos: Bhu [plano terreno], Bhuva [plano intermediário] e Svah [plano celestial]. É também onde residem os três deuses das luzes: Agni (fogo), Soma (lua) e Surya (sol) [que residem nas três letras respectivamente].
86. A luz etérea que é o Om é também o Atma, em cujos aspectos surgem a “ação”, que é o poder de Brahma, a “vontade”, que é o poder de Rudra, e o “conhecimento”, que é o poder de Vishnu.
87. Porque o Om é a luz etérea, ele deve ser pronunciado com palavras, praticado com o corpo e meditado com a mente.
88. Aquele que recita Pranava, esteja ele limpo ou sujo, não ficará preso aos pecados que comete, como a folha de lótus que nunca se molha.
(Versos 89-102 estão indisponíveis)
103. Doze repetições de Om, que são chamadas de puraka, seguidas por dezesseis repetições de Om, que são chamadas de kumbhaka, e depois dez repetições de Om, que são chamadas de rechaka, é chamado de Pranayama.
104. A regra básica para fazer Pranayama é de, no mínimo, doze vezes, o que é considerado pouco; duas vezes essa quantidade (24) é considerada média; três vezes (36) é considerada uthama, a melhor.
105. No nível mais baixo, surge o suor; no nível médio, tremores; em uthama, a obtenção do objetivo. Após isso, surge o controle da respiração.
106. O Yogi deve, primeiramente, saudar seu Guru e o Senhor Shiva, e sentar-se na posição de lótus, concentrar a visão na ponta do nariz e praticar pranayama sozinho.
(Versos 107-108 estão indisponíveis)
109. Através da posição (de lótus), evitam-se as doenças; através de pranayama, evitam-se os pecados; através de pratyahara [retenção dos sentidos], controla-se a atividade mental.
110. Através da fé, a mente se fortalece e o Samadhi concede um conhecimento maravilhoso à entidade viva, e ela atinge a salvação, após serem destruídas as ações sagradas e as pecaminosas.
(Versos 111-112 estão indisponíveis)
113. Após [o yogi] ver o Paramjyothi [a luz de Parabrahman], que se espalha por toda parte, em Samadhi, os deveres e ações não permanecem nem passam.
(Versos 114-115 estão indisponíveis)
116. Se permanecermos firmes em pranayama, todas as doenças serão destruídas. As doenças se manifestam apenas para aqueles que são incapazes de fazer pranayama.
(Versos 117-119 estão indisponíveis)
120. Pratyahara é o estado onde os órgãos dos sentidos, como os olhos, não se envolvem com os objetos externos, mas voltam-se para dentro de si mesmos.
121. Assim como o sol retrai seus raios no terceiro período do crepúsculo [quando restam os últimos raios do sol], o yogi que está no terceiro estado [uthama] controla sua mente.
Om! Que meus membros e minha fala, o prana, os olhos, ouvidos, a vitalidade
E todos os sentidos tornem-se fortes.
Toda a existência é o Brahman dos Upanishads.
Que eu nunca renegue Brahman, nem que Brahman renegue e mim.
Que não haja negação alguma.
Que não haja negação alguma vinda de mim.
Que as virtudes proclamadas nos Upanishad estejam em mim,
Que sou devotado ao Atma.
Que elas estejam comigo.
Om! Que haja Paz em mim!
Que haja Paz no ambiente!
Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!
Aqui termina o Yoga Chudamani Upanishad, como contido no Sama Veda.
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Traduzido para o inglês por P. R. Ramachander
Traduzido para o Português por Mariângela Carvalho
[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]
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