Thursday, October 24, 2024

Atma Upanishad

 

Hilma af Klint, Altarpieces - Group X, 1915


Este sucinto Upanishad versa sobre os três diferentes tipos de Ser (Self): o ser (o corpo denso), o Ser interno (o corpo sutil) e o Ser supremo (Brahman). O Ser supremo é a testemunha eterna e o criador da Realidade. Apenas por Seu brilho é que tudo mais brilha. 


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º º º

Atma Upanishad

Om! Ó Devas, que possamos ouvir com nossos ouvidos aquilo que é auspicioso.

Que possamos ver com nossos olhos aquilo que é auspicioso, ó Vós, merecedores de adoração!

Que possamos desfrutar do período de vida concedido pelos Devas,

Louvando-os com nosso corpo e membros firmes!

Que o glorioso Indra nos abençoe!

Que o onisciente Sol nos abençoe!

Que Garuda, o raio contra o mal, nos abençoe!

Que Brihaspati nos conceda o bem-estar!

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!

Capítulo I


1. Agora, Angirah [o Rishi que ouvia o ensinamento]: o Espírito se manifesta de três maneiras: o ser, o Ser interno e o Ser supremo.


2. Há os órgãos, no lado externo e interno: pele, carne, cabelo, polegar, dedos, coluna, unhas, tornozelos, estômago, umbigo, pênis, quadril, coxas, bochechas, orelhas, sobrancelhas, testa, mãos, flancos, cabeça e olhos. Eles todos nascem e morrem, e são eles que constituem o ser. 


3. Depois, há o Ser interno, que é indicado pelos elementos terra, água, fogo, ar e espaço; [junto aos elementos sutis de] desejo, aversão, prazer, dor, ilusão, dúvidas e memória; (marcado pelo) tom agudo e sem sotaque, com a pronúncia (das vogais) curtas e longas; aquele que ouve, aquele que cheira, aquele que degusta, aquele que lidera, o agente, o ser do conhecimento está de cara a cara com aquele que tropeça, grita, desfruta, dança, canta e toca instrumentos musicais. Ele é aquele espírito antigo que faz a distinção entre Nyaya e Mimamsa*, entre as leis instituídas [nas Escrituras] e o objeto específico da audição, do olfato e do toque. Este é o Ser interno.


[*Nyaya: onde a Realidade Suprema não pode ser compreendida diretamente devido aos desvios dos sentidos e ao conhecimento errôneo da realidade. Mimamsa: uma das filosofias de base do Hinduísmo que estabelece regras para a interpretação dos Vedas.]


4. Depois, vem o Ser supremo, o imperecível. Deve-se meditar Nele com a ajuda das etapas iogues de controle da respiração, recolhimento (dos órgãos dos sentidos), fixar a mente, contemplação e concentração. Ele deve ser compreendido por aqueles que pensam sobre o Eu como sendo a semente de uma figueira-da-bengala, ou como um grão de milheto, ou como a centésima parte de um fio de cabelo. Assim, Ele é conhecido e desconhecido. Ele não nasce, não morre, não seca, não se molha, não se queima, não treme, não se divide, não sua. Ele está além das gunas, é o espectador, é puro, sem partes, único, sutil, não possuindo nada, imaculado, imutável, desprovido de som, tato, cor, gosto, odor, é indubitável, não apegado, onipresente. Ele é impensável e invisível. Ele purifica o impuro, o profano. Ele não age. Ele não está sujeito à existência empírica.


Capítulo II


1. O bom, chamado de Atma, é puro, um e sempre não-dual, na forma de Brahman. Somente Brahman brilha.


2. Ainda que o mundo tenha suas distinções, como afirmação, negação, etc., somente Brahman brilha.


3. Com outras distinções, como professor e discípulos, somente Brahman aparece. Do ponto de vista da verdade, há somente o puro Brahman.


4. Nem o conhecimento, nem a ignorância, nem o mundo, nem nada mais existe. O que dá início à vida empírica é a aparência do mundo como real. 


5. O que dá forma à vida empírica é sua aparência como irreal.


5(b)-6. Qual disciplina é necessária para saber que “isto é um jarro”, exceto aquela de adequação dos meios do conhecimento correto? Assim que é dado, o conhecimento do objeto surge. O sempre-presente Ser brilha quando os meios de Sua cognição estão presentes. 


7. Nem local, nem tempo, nem pureza são necessários. O conhecimento de “Eu sou Devadatta” [aquele que foi dado por Deus] não depende de nada.  


8. Do mesmo modo, o conhecimento de “Eu sou Brahman”, daquele que é o Conhecedor de Brahman, é independente. Assim como todo o mundo é iluminado pelo sol, pelo esplendor do Conhecimento de Brahman tudo é iluminado. 


9-10(a). O que pode iluminar o não-existente e ilusório não-Ser? Aquele que dota de importância os Vedas, Shastras, Puranas e todos os outros seres, o que Ele não iluminaria?


10(b)-11. Uma criança ignora a fome e as dores do corpo quando brinca. Da mesma forma, o feliz Conhecedor de Brahman se deleita sem o sentido de “meu” e “eu”.


12. Existindo como o Ser de todos, ele (o Conhecedor) está sempre presente por permanecer em seu Ser. Livre de toda a riqueza, Ele se alegra sempre; embora sem companhia, Ele é poderoso. 


13. Embora não coma, está sempre contente. Sem fazer comparações, ele olha para todos da mesma forma. Embora aja, ele não faz nada; embora coma frutas, ele não as experimenta.


14-17: Ainda que viva num corpo, ele não tem corpo; embora delimitado, ele é onipresente. O Conhecedor de Brahman, sem corpo e sempre existente, nunca é afetado pelo prazer ou desprazer do bem e do mal. Como parece estar envolto por Rahu (a escuridão), é dito que o inacobertável sol está coberto por homens iludidos, que não conhecem a verdade. Do mesmo modo, pessoas iludidas contemplam o melhor dos Conhecedores de Brahman, os liberados das amarras do corpo, como se eles estivessem num corpo, já que parecem estar. O corpo daquele que já está liberado [jivanmukta] se parece com a pele trocada de uma cobra. 

 

18. Um pouco movido, aqui e ali, pelo ar vital, aquele corpo é levado como um pedaço de madeira para cima e para baixo por águas caudalosas. 


19-20. Pelo destino, o corpo é levado pelos contextos das experiências nos momentos apropriados. Do contrário, aquele que abandona todas as migrações [de corpo em corpo], que abandona tanto o conhecimento quanto o incognoscível, que permanece como o Ser não-qualificado puro, é o próprio Shiva manifesto. Ele é o melhor dos Conhecedores de Brahman. Na mesma vida, o Conhecedor de Brahman é o sempre livre, ele realiza seu Fim.


21. Quando todos os adjuntos [os upadhis, ou fatores que criam a ilusão de separatividade entre o ser e o Ser] tiverem perecido, sendo ele (o Conhecedor) Brahman, ele é assimilado como o Brahman não-dual, assim como um homem que com as vestimentas apropriadas é um ator, e sem elas está em seu estado natural.


22(a). Da mesma forma, o melhor dos Conhecedores de Brahman é sempre o próprio Brahman e ninguém mais. 


22(b)-23. Assim como o ar se torna novamente ar quando o jarro é destruído, quando determinadas cognições são dissolvidas, o próprio Conhecedor de Brahman se torna nada além de Brahman, assim como o leite derramado no próprio leite, o óleo no óleo, e a água na água se tornam leite, óleo e água.


24(a). Assim como quando combinados eles se tornam um, do mesmo modo, o sábio que conhece o Atma se torna o Atma.


24(b). Deste modo, a liberação do corpo é o estado infinito do Ser. 


25. Tendo conquistado o estado de Brahman, o Yogui não renasce mais, porque seu corpo de ignorância foi completamente consumido pelo conhecimento experimental de ser como o Ser. 


26-27(a). Já que o Yogui se tornou Brahman, como pode Brahman renascer? A servidão e a liberação construídas por Maya não são reais por si mesmas com relação ao Ser, assim como o aparecimento e desaparecimento da cobra não estão relacionados com a corda imóvel.


27(b). Servidão e liberação podem ser descritas como real e irreal, e acontecem devido à ignorância que oculta a verdade.


28-29. Mas Brahman não sofre tal ocultação. Ele é inacobertável, não havendo nada além Dele mesmo para cobrir Ele mesmo. Ideias como “isso é” e “isso não é”, no que se refere à Realidade, são apenas ideias no intelecto. Elas não pertencem a uma Realidade eterna. Por isso, a servidão e a liberação são arranjadas por Maya e não pertencem ao Ser.


30. Tanto na Verdade Suprema como no céu, imparcial, inativo, quiescente, sem defeitos, imaculado e não-dual, como poderá haver espaço para construções mentais?


31. Nem a supressão, nem a geração; nem o vínculo, nem o esforço; nem a busca pela liberdade, nem os liberados - esta é a verdade metafísica. 


Om! Ó Devas, que possamos ouvir com nossos ouvidos aquilo que é auspicioso.

Que possamos ver com nossos olhos aquilo que é auspicioso, ó Vós, merecedores de adoração!

Que possamos desfrutar do período de vida concedido pelos Devas,

Louvando-os com nosso corpo e membros firmes!

Que o glorioso Indra nos abençoe!

Que o onisciente Sol nos abençoe!

Que Garuda, o raio contra o mal, nos abençoe!

Que Brihaspati nos conceda o bem-estar!

Om! Que haja Paz em mim!

Que haja Paz no ambiente!

Que haja Paz nas forças que agem sobre mim!


Aqui termina o Atma Upanishad, como contido no Atharva Veda.


º º º

Traduzido para o inglês por Prof. A. A. Ramanathan

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

Publicado pela Theosophical Publishing House, Chennai


[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]

Monday, October 7, 2024

Devi Upanishad

 


Na ocasião deste Navaratri, enquanto aguardamos a chegada de Durga e celebramos suas nove principais manifestações, podemos nos aproximar mais da Mãe Divina e de sua Sagrada Shakti de muitas maneiras, como fazer ou assistir rituais, fazer oferendas, recitar mantras, contemplar, mas também damos muitos passos na direção Dela ao ler sobre seus feitos, sua força e vitórias. Assim, se torna muito auspicioso fazer leituras como do Devi Mahatmya (Chandi) ou do Devi Upanishad, dois dos principais textos sobre a Mãe Divina e seu poder supremo de criação do universo.

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º º º

Devi Upanishad

Om! 
Deuses! Com os ouvidos, ouçamos o que é bom.
Adoráveis! Com olhos, vejamos o que é bom.
Com os membros firmes e os corpos louvando,
Aproveitemos a vida concedida pelos deuses.
Que Indra, de grande renome, conceda-nos o bem-estar.
Que Pusan e todos os deuses concedam-nos o bem-estar.
Que Tarksya, de movimento livre, conceda-nos o bem-estar.
Que Brihaspati conceda-nos o bem-estar.
Om! Paz! Paz! Paz!

1. Todos os deuses procuraram a Deusa e perguntaram: 
Grande Deusa, quem és Tu?

2. Ela respondeu: 
Eu sou essencialmente Brahman. De mim surgiu o mundo, que consiste de Prakriti [natureza material] e Purusha [natureza espiritual], do Vazio e do Pleno. Eu sou (todas as formas de) bem-aventurança e de não-bem-aventurança. Eu sou conhecimento e ignorância. Brahman e o não-Brahman devem ser conhecidos, dizem as Escrituras dos Atharvans.

3. Eu sou os cinco elementos, assim como sou aquilo que é diferente deles. Eu sou o mundo inteiro. Eu sou os Vedas, assim como sou aquilo que é diferente deles. Eu sou o não-nascido, Eu sou o nascido. Abaixo, acima e ao redor, Eu sou.  

4. Eu me movo com Rudras e Vasus, com Adityas e Visvedevas.
Eu dou apoio a Mitra e Varuna, Indra e Agni, e os dois Ashvins.
[Todos os nomes se referem a divindades, como o Deus do Fogo e os cantores celestiais.]

5. Eu sustento Soma, Tvastir, Pusan e Bhaga,
O imenso Vishnu, Brahma e Prajapati.

6. Ao zeloso sacrificador que oferece oblação
E espreme o suco de Soma, eu concedo riqueza.
Eu sou o estado, o Portador da Riqueza,
Acima de tudo, coloque Eu como seu protetor.

7. Aquele que conhece minha essência na água do mar profundo,
Atinge a morada da Deusa.

8. Os Deuses disseram: 
Saudações à Deusa, a grande Deusa!
A Shiva, o auspicioso, saudações para todo o sempre.
À abençoada Prakriti, saudações!
Para sempre, à Ela nos curvamos.

9. Busco refúgio Nela, que tem a cor do fogo,
Que queima com o ardor do ascetismo, Deusa resplandescente,
Deleitando-Se nos frutos das ações, ó Tu, difícil de ser alcançada,
Dissipe Tua escuridão.

10. Os deuses geraram a Fala divina,
Com ela, bestas de todas as formas falam;
A vaca que produz frutos doces e vigor,
A nós pode aparecer como a Fala louvada.

11. Ao sagrado Shiva, à filha de Daksha,
À Aditi e Sarasvati,
À Mãe de Skanda, ao Poder de Vishnu,
À noite da morte louvada por Brahma,
Nós prestamos reverências.

12. Saiba que nós, Grande Lakshmi,
Deusa da boa Fortuna,
Meditamos sobre todas as realizações.
Que a Deusa nos inspire! 

13. Através de Ti, Dakshayani, Aditi nasceu.
Ela é sua filha,
E após ela nascer,
Nasceram os deuses auspiciosos,
Amigos da imortalidade.

14. Amor, ventre, o companheiro do amor, o portador do raio
A caverna, ha-sa, o vento, a nuvem, Indra,
Novamente a caverna, sa-ka-la com Maya,
Assim é a ciência primordial que cria tudo que há.

15. Este é o poder do Eu, que encanta a todos, armado com o laço, o gancho, o arco e a flecha.
Esta é a grande e sagrada Ciência.

16. Quem sabe isso, ameniza a tristeza.

17. Mãe Divina!
Saudações a Ti.
Proteja-nos de todas as maneiras possíveis.

18. Ela, que aqui está, é os oito Vasus, os onze Rudras, os doze Adityas. Ela é todos os deuses, aqueles que bebem o Soma e aqueles que não bebem. Ela é os duendes, os demônios, os seres maus, os fantasmas; Ela também é os super-homens, os semidivinos. Ela é Sattva, Rajas e Tamas. Ela é Prajapati, Indra e Manu. Ela é os planetas, as estrelas e as esferas luminosas. Ela é as divisões do tempo, e é a forma do Tempo primordial. Eu a saúdo para sempre.

19. A Deusa que acaba com a aflição,
Igualmente concede prazer e libertação.
Infinito, vitorioso, puro,
Shiva, o Refúgio, o doador do bem.

20. A semente todo-poderosa do mantra da Deusa
É o céu [o espaço], unido ao “eu” e ao fogo
Com a lua crescente adornando.

21. No mantra monosilábico,
Os sábios de coração puro meditam,
Em bem-aventurança suprema,
Com sabedoria como oceanos profundos.

22. Moldado pela Fala; nascido de Brahman, o sexto
Com a face adornada, o sol, o ouvido esquerdo onde o ponto está,
O oitavo e o terceiro [pontos] se encontram.

23. O ar, com Narayana unido,
E com o lábio [produzem] a [palavra] de nove letras.
Tal palavra será um deleite para aqueles que são pessoas elevadas.

24. Sentada no coração de lótus,
Resplandecente como o sol da manhã,
A Deusa, portando o laço e o gancho,
Com gestos que concedem desejos, dissolve os medos.
Terna, com três olhos, vestida de vermelho, concedendo aos devotos
Os desejos de seus corações,
A Ti, eu adoro.

25. Eu presto reverências a Ti, Deusa,
Tu que és quem dissipa os maiores medos,
Que conquista os obstáculos,
Tu, portadora da maior forma de misericórdia.

26. Brahma e outros desconhecem Sua essência, assim, Ela é chamada de a Incognoscível. Ela não tem fim, por isso é chamada de Infinita. Ela não pode ser compreendida, por isso é chamada de Incompreensível. Seu nascimento é desconhecido, por isso é chamada de Não-nascida. Apenas Ela está presente em todo lugar, e por isso é chamada de Um. Apenas Ela tem todas as formas, por isso é chamada de Muitas. Por tais motivos, Ela é chamada de Incognoscível, Infinita, Incompreensível, Não-nascida, Um e Muitas. 

27. A Deusa é a fonte de todos os mantras,
De todas as palavras, o conhecimento é Sua forma.
Sua Forma consciente transcende toda a cognição,
Ela é a testemunha de toda a vacuidade.

28. Além Dela não há nada. 
Ela é conhecida como inacessível, 
Eu presto reverências àquela que é inacessível.
Baluarte contra todos os pecados, 
[Ela é] O piloto que me leva através do mar da vida mundana. 

29. Aquele que estuda [esta parte do] o Atharva Veda recebe os frutos de repetir cinco outros [textos] do Atharva Upanishad. Aquele que domina este Upanishad persiste na adoração.

30. Deste conhecimento, dez milhões de cantos
São menos do que o fruto da adoração.

31. Quem lê este Upanishad dez vezes
Será liberado de uma só vez de todos os pecados.
Pela graça da grande Deusa,
Ele supera todos os obstáculos.

32. Ler este Upanishad de manhã destrói os pecados da noite; ler ao anoitecer, destrói os pecados cometidos durante o dia. Assim, ao ler tanto de noite quanto de dia, o pecador se livra dos pecados. Ler à meia-noite também, na quarta “junção” [do dia], resulta em perfeição da fala. A recitação deste Upanishad diante de uma nova imagem traz para a imagem a presença da deidade. A recitação na hora da consagração (de uma imagem), a torna um centro de energia. Quem recitar às terças-feiras sob os auspícios dos Ashvins, na presença da grande Deusa, conquistará a morte. Este é o segredo.

Om! 
Deuses! Com os ouvidos, ouçamos o que é bom.
Adoráveis! Com olhos, vejamos o que é bom.
Com os membros firmes e os corpos louvando,
Aproveitemos a vida concedida pelos deuses.
Que Indra, de grande renome, conceda-nos o bem-estar.
Que Pusan e todos os deuses concedam-nos o bem-estar.
Que Tarksya, de movimento livre, conceda-nos o bem-estar.
Que Brihaspati conceda-nos o bem-estar.
Om! Paz! Paz! Paz!

Aqui termina o Devi Upanishad, como incluído no Atharva Veda.

º º º

Traduzido para o inglês por Dr. A. G. Krishna Warrier

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

Publicado pela Theosophical Publishing House, Chennai

[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]

Tuesday, October 1, 2024

Celebrando Swami Abhedananda

 


Neste 2 de outubro, lembramos e celebramos a vida de Swami Abhedananda, nascido em 1866, com o nome de batismo Kali Prasad, que quer dizer o alimento oferecido à Kali. Sua ligação com a Mãe Divina, Kali, já estava selada antes mesmo de seu nascimento: seus pais fizeram uma promessa à Kali de que se aquele filho nascesse saudável, eles o ofereceriam como prasad (alimento sagrado) à Mãe Divina. O menino Kali Prasad esteve sempre inclinado à filosofia e autoconhecimento, e foi um grande autodidata e erudito desde jovem. Sua vida mudou e tomou a direção que deveria quando ele foi conhecer, com certa ansiedade, Sri Ramakrishna, que desde o primeiro instante afirmou que ali estava um verdadeiro yogi. Após algum tempo com o Mestre, sua força espiritual apenas aumentara e foi com tal força que, mais tarde, Swami Abhedananda cruzou os mares e aportou em Nova York para dar continuidade ao trabalho que Swami Vivekananda fizera por lá até então. 

Um dos mais prolíficos escritores dentre os discípulos do Mestre, Swami Abhedananda tem uma coleção de mais de trinta livros de sua autoria e um legado de muito trabalho para espalhar os ensinamentos da Vedanta no Ocidente. O desbravador Swami abriu as portas para que a Vedanta Society ampliasse sua atuação pelos Estados Unidos e avançasse para outros países. 

Swami Abhedananda é de grande inspiração pessoal. Eu o tenho como meu Mestre do Esclarecimento, porque, lendo seus livros, muitas ideias e conceitos foram esclarecidos para mim de maneira eficaz. A eloquência de Swami Abhedananda é de fácil assimilação e os exemplos que ele passa são muito didáticos.

Por isso, nesta ocasião especial em que lembramos dele e sua vasta obra, ofereço a tradução do excelente Atma-Jnana, um tratado curto e simples sobre os pontos básicos para entender o atma e compreender o que realmente significa "autoconhecimento". 

Baixe o livro Atma-Jnana - Autoconhecimento: Archive.org e Academia.edu.

Sunday, September 29, 2024

Mouna - Silêncio

 


Trechos sobre a observância do silêncio na vida diária do praticante tirados do livro Concentração e Meditação, de Swami Sivananda. 

º º º  

Do capítulo 6: Obstáculos Físicos na Meditação, “Diarréia Verbal”:

Falar demais é um dos maus hábitos que mais diminui o poder espiritual. Se uma pessoa fala muito, ela sofre de diarréia na língua. Pessoas quietas não conseguem ficar nem por um segundo na companhia daqueles que são loquazes e tagarelas. Eles falam quinhentas palavras por segundo. Há um dínamo-falante elétrico em suas línguas.  

Eles são inquietos. Se trancarmos pessoas assim por um dia em um quarto solitário, elas morrem. Muita energia é gasta ao falar muito. A energia que é gasta falando deve ser conservada e utilizada para a contemplação divina. Vak indriya [a língua] distrai a mente consideravelmente. Uma pessoa muito falante não consegue sonhar com a paz mesmo por um curto período. Enquanto aspirantes, devemos falar apenas algumas palavras quando necessário, e apenas sobre assuntos espirituais. Uma pessoa falante não está apta para o caminho espiritual. 

Pratique mouna [silêncio] diariamente por duas horas e principalmente durante as refeições. Aos domingos, observe mouna por 24 horas. Faça bastante japa [recitação de mantra] e meditação durante mouna. O mouna que é observado durante a meditação não pode ser entendido como voto de silêncio. O sono também deve ser entendido como mouna. 

Mouna deve ser observado por chefes de família a qualquer momento em que haja oportunidades para falar e quando visitas aparecem. Apenas assim o impulso da fala pode ser contido*. As mulheres falam muito. Elas criam problemas em casa devido às conversas vãs e fofocas. Elas, em especial, precisam observar mouna. Você deve falar apenas palavras comedidas. Falar muito é de natureza rajásica. Grande paz vem com a observância de mouna. Pela prática gradual, prolongue o período de mouna por três meses. 

[N. do T.: *Ele quer dizer que nos momentos mais propícios para muita conversa é quando devemos refrear a fala para, assim, aprender a controlá-la. 


Do capítulo 9: Experiências na Meditação, “Sentimento de Separação”:

Mouna, ou o voto de silêncio, isolamento e viver sozinho são a condição necessária para atingir este fim [a concentração]. Se as circunstâncias te impedem de observar mouna, evite veementemente falar muito, falar por muito tempo, falar por falar, todas as conversas desnecessárias, todos os tipos de discussões vãs, etc., e retire-se da sociedade o quanto for possível. Falar muito é simplesmente um desperdício de energia. Se tal energia for conservada através de mouna, ela será transmutada em Ojas, ou energia espiritual, que o ajudará em sua sadhana [prática espiritual].

A fala é tejomaya vak [palavra do fogo de maya] de acordo com o Chandogya Upanishad. A porção densa do fogo constitui os ossos, a porção mediana forma o tutano e a porção sutil do fogo forma a fala. Assim, a fala é uma energia muito poderosa. Lembre-se disso, lembre-se disso, lembre-se disso sempre. Observe mouna por três meses, seis meses ou um ano. Se não puder fazer por meses seguidos, observe-o por um dia na semana, assim como Sri Mahatma Gandhiji fazia. 

Você deve se inspirar em Mahatmas como Sri Krishna Ashramji Maharaj, que está agora vivendo absolutamente nu há seis meses nas regiões geladas dos Himalaias, perto da nascente do Ganges, em Gangotri. Ele está observando kastha mouna, um rígido voto de silêncio há muitos anos. (Em kastha mouna, você não comunica seus pensamentos aos outros nem mesmo por escrita ou sinais.) 

Por que você também não se torna um Krishna Ashram de grande reputação e glória? Após duras e contínuas práticas, você será capaz de separar você mesmo de seu corpo. Desenvolve-se um hábito. Assim que você silenciar o pensamento e acalmar a mente, o hábito mental de sair do corpo físico acontece automaticamente. Não haverá qualquer dificuldade. A mente entra em um novo ritmo e aparece em um novo palco, ou plataforma.

º º º


Publicado pela Divine Life Society, Uttarakhand

Traduzido por Mariângela Carvalho

[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]

Os Últimos Dias de Radhu

Cena que retrata o momento em que Sri Sarada Devi tem uma visão de  Sri Ramakrishna sobre a sobrinha Radhu Este texto curto é um post feito ...