Wednesday, November 20, 2024

Hamsa Upanishad

 


A relação entre a natureza do Hamsa e OM (e seus desdobramentos) é o tema do Hamsa Upanishad, um tratado essencial para compreender os estados de consciência e seu percurso até atingir o estado Supremo, onde tudo repousa e obtem-se a experiência direta de transcendência.


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º º º 

Hamsa Upanishad


Om! Brahman é o Absoluto, este universo é o Absoluto.

Do absoluto surge o absoluto.

Retirando o absoluto do (universo) absoluto,

Resta apenas aquele Brahman absoluto.

Om! Que haja paz em mim.

Que haja paz no ambiente.

Que haja paz nas forças que agem sobre mim.

1. Gautama se dirigiu a Sanatkumara assim: “Ó Senhor, tu és o conhecedor de todos os Dharmas e versado em todos os Shastras, diga-me de qual maneira posso obter o conhecimento de Brahmavidya, por favor”. 

2. Sanatkumara respondeu: “Ouça, ó Gautama, aquele tattva [princípio, verdade], como exposto por Parvati após investigar todos os Dharmas e verificar a opinião de Shiva, é o conhecimento correto”.

3. Este tratado sobre a natureza de Hamsa, que concede o fruto da bem-aventurança e da salvação, e que é como um tesouro para o Yogue, é uma ciência muito mística e não deve ser revelado ao público.

4. Agora, vamos explicar a verdadeira natureza de Hamsa e Paramahamsa para o benefício do Brahmacharin (um buscador de Brahman e celibatário), que tem seus desejos controlados, é devotado a seu Guru e sempre contempla Hamsa e realiza que:

O Hamsa permeia todos os corpos como o fogo (ou o calor) em todos os tipos de madeira, ou em todos os tipos de óleo de sementes. Conhecendo-o assim, não se encontra a morte.

Tendo contraído o anus (com os calcanhares pressionados contra eles), erguido vayu (a respiração) do muladhara chakra [chakra base] através de um circuito triplo em volta do svadhisthana chakra [chakra sacro], chegado ao manipura chakra [chakra do plexo solar], atravessado o anahata chakra [chakra cardíaco], mantido o prana no visuddhi chakra [chakra da garganta] e alcançado o ajna chakra [o “terceiro olho”, no meio das sobrancelhas], a pessoa entra em contemplação em brahmarandhra [chakra coronário] no topo da cabeça e, tendo sempre meditado neste lugar com “Eu sou feito dos três matras”, reconhece seu Ser e se torna sem forma. [Os três matras correspondem às três letras que formam o OM, AUM*] (...) Isto é aquele Paramahamsa (o Hamsa Supremo, ou Ser Superior), que possui a resplandecência de crores de sóis e quem permeia todo este mundo.


[*Está contido na sílaba OM: 1. Jagrat, estado de vigília; corresponde ao som A em OM; é a criação; 2. Svapna, estado de sonho, corresponde ao som de U em OM; é a conservação; 3. Sushupti, estado de sono profundo; corresponde ao som de M em OM; é a dissolução; 4. Turiya, transcendência; corresponde ao silêncio após o OM; 5. Turiyatita, além da transcendência.]

Este Hamsa, que tem o intelecto (buddhi) como veículo, possui oito atividades. Quando está na pétala [do lótus do chakra] leste, existe a inclinação de uma pessoa para as ações virtuosas; na pétala sudeste, existe sono, preguiça; na pétala sul, há inclinação para a crueldade; na pétala sudoeste, há inclinação aos pecados; na pétala oeste, há inclinação para atividades sensuais; na noroeste, surge o desejo de caminhar e outros; na norte, surge o desejo por luxúria; na noroeste, surge o desejo de acumular dinheiro; na do meio (ou nos entremeios entre as pétalas), há a indiferença aos prazeres materiais. No filamento do lótus, surge o estado de vigília; no pericarpo, surge o svapna, o estado de sonho; em bija (a semente do pericarpo) surge sushupti, o estado do sono sem sonho; ao sair do lótus, tem-se turiya, o quarto estado [estado de unidade]. Quando Hamsa está absorto em nada [o som místico], o estado além do quarto é alcançado. Nada, que se encontra no fim do som e além da fala e da mente, é como um cristal puro que se estende do muladhara até o brahmarandhra. Ele é conhecido também como Brahman e Paramatma.

Aqui é dada a execução do Ajapa Gayatri: 

Agora, Hamsa é o rishi [o sábio]; a métrica é a do Avyakta Gayatri; Paramahamsa é a Deidade que preside; ‘Ham’ é a sílaba-semente; ‘Sa’ é a Shakti; So’ham é kilaka [um pilar; o pilar onde o mantra está ancorado]. Assim sendo, há seis passos. Há 21.600 Hamsas (ou respirações) em um dia e uma noite. Saudações a Surya, Soma, Niranjana (o imaculado) e Nirabhasa (o sem universo) [i.e. o ilimitado]. Que o incorpóreo e sutil me guiem (ou iluminem minha compreensão). Saudações a Agni-Soma. Depois, tem-se os anganyasas e karanyasas [ambos referem-se ao processo de tocar partes específicas do corpo enquanto recita mantras], que devem ser executados depois dos mantras, mesmo que sejam feitos geralmente antes, dentro do coração e outros assentos [do Atma]. Tendo feito assim, deve-se contemplar Hamsa como o Atma em seu próprio coração. Agni e soma são suas asas, a direita e a esquerda; o Omkara é sua cabeça; ukara e bindu são os três olhos e a face, respectivamente; Rudra e sua esposa, Rudrani, são os pés de Kanthata (ou a realização da unidade de Jivatma e Hamsa, do eu menor com o Paramatma, ou Paramahamsa, o Eu Superior), que são de dois modos: Samprajnata e Asamprajnata [dois estilos distintos de meditação ou estados de consciência]. 

Após isso, Unmani [um dos três estados de consciência transcendental] é a culminação do Ajapa mantra. Tendo assim refletido sobre manas [a mente] através do Aquilo (Hamsa), ouve-se o som nada após recitar este japa um crore de vezes. O nada que começa a ser ouvido é de dez tipos. O primeiro é chini, que faz o som igual ao de sua escrita; o segundo é chini-chini; o terceiro é o som de um sino; o quarto é o da concha; o quinto é o do tantiri (alaúde); o sexto é o som de tala (pratos); o sétimo o da flauta; o oitavo o do bheri (tambor); o nono é o de mridanga (tambor duplo); o décimo é o das nuvens (os trovões). Pode-se experimentar o décimo sem os primeiros nove sons (através da iniciação de um Guru). No primeiro estado, o corpo se torna chini-chini; no segundo, surge a ruptura (bhanjana) do corpo; no terceiro, surge a perfuração (bhedana); no quarto, a cabeça treme; no quinto, o palato produz saliva; no sexto, o néctar é alcançado; no sétimo, o conhecimento daquilo que está escondido surge; no oitavo, para-vak [a voz Suprema] é ouvido; no nono, o corpo se torna invisível e o olho divino puro se desenvolve; no décimo, atinge-se Para-Brahman na presença (ou com o) do Atma, que é Brahman.

Na sequência, quando manas é destruída, quando ela, que é a fonte de sankalpa e vikalpa [pensamento e dúvida] desaparece, devido à destruição de ambos, e quando as virtudes e os pecados são queimados, ele brilha como Sadashiva, da natureza de Shakti que permeia tudo, sendo ele o OM, a refulgência em sua própria essência, o imaculado, o eterno, puro e mais quiescente. Assim é o ensinamento dos Vedas, e assim é o Upanishad.

Om! Brahman é o Absoluto, este universo é o Absoluto.

Do absoluto surge o absoluto.

Retirando o absoluto do (universo) absoluto,

Resta apenas aquele Brahman absoluto.

Om! Que haja paz em mim.

Que haja paz no ambiente.

Que haja paz nas forças que agem sobre mim.


Aqui termina o Hamsa Upanishad, como contido no Sukla-Yajur-Veda


º º º

Traduzido para o inglês por K. Narayanaswami Aiyar

Traduzido para o português por Mariângela Carvalho

[N. do T.: As informações em colchetes são adendos do tradutor.]

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